Uma sexta-feira como outra qualquer. Acordamos cedo, fizemos todo o roteiro para ir ao trabalho, deixarmos a trupe em seus respectivos lugares - Felipe em sua escola e Beatriz nos avós.
Acordei o Felipe, botei o uniforme da escola enquanto ele dormia, escovei seus dentes e naquele seu despertar preguiçoso, falei baixinho enquanto eu o arrumava no escuro de seu quarto:
- Felipe, hoje é dia de levar brinquedo para a escola!
Neste exato momento ele se despertou. Escolheu um antigo carrinho de fricção do homem aranha que estava na sala e esperou pelo momento de entrarmos no carro pra gente cumprir com o roteiro previamente estabelecido.
Beatriz plena no peito da mamãe, depois de uma noite terrível de sono, com inúmeros despertares e choro por peito (leite). Estávamos exaustos com a noite mal dormida, mas já estávamos acoscumados com isso.
Depois que deixei a Beatriz na vovó e a Mamãe no trabalho, chegando na escola do Felipe, percebi que havíamos esquecido o brinquedo (carrinho de fricção do Homem-Aranha). Exatamente aquele brinquedo escolhido a dedo e que eu havia dito para o Felipe levar para a escola, pois somente às sextas-feiras era permitido levar seu objeto de orgulho entre os amiguinhos.
Tadinho, falei que o brinquedo ficou em casa, pois havíamos esquecido, mas que PAPAI, iria buscar logo.
Óbvio, falei aquilo para tranquiliza-lo, pois sua cara de decepção, tristeza e o olhar perdido eram nítidos pelo retrovisor do carro.
Desceu do carro, com uma tristeza de dar dó, pegou na mão da professora e desesperadamente veio em minha direção pedindo pelo brinquedo tão sonhado para aquele dia.
Dei uma resposta curta e firme, dizendo que eu ia buscar lá em casa, mas mal sabia ele que passava pela minha cabeça não voltar, pois chegar cedo no trabalho, me traria inúmeros benefícios, como um trânsito mais leve, sair mais cedo e dar tempo de ir à academia ao final do expediente.
Sentei no carro e por uma fração de segundos, imaginei que aquela promessa deveria ser cumprida, já que, estes pequenos detalhes garantem uma relação forte entre pai e filho. Muito mais que isso, me veio em mente, uma filosofia que propago tanto - A prioridade é sempre a felicidade dos filhos, o resto é superficial. Eu deveria buscar o brinquedo pra ele se sentir realizado, no alto de seus 4 anos de idade.
Caiu a ficha! dei a seta em sentido oposto ao planejado e voltei para casa para buscar o brinquedo e leva-lo à escola. Aquilo me trouxe uma paz de espírito tão grande, uma satisfação absurda que a vontade que eu tinha era de gritar pra todo mundo - Eu sou foda!
Peguei
a-que-le trânsito, cheguei um pouco mais tarde no trabalho e enquanto eu escrevo este texto, não sei se fui à academia ao final do dia, mas posso garantir:
Hoje eu tô feliz pra caralho!!!!